quinta-feira, 7 de outubro de 2010

AO ANDAR

É necessário fazer um certo esforço
ao andar por essas ruas
o cheiro é insuportável (quase).

Sente-se a presença da necessidade
de (auto) afirmação
que deixa evidenciada no caráter humano
uma constante (auto) negação.

Este mal cheiro só é suportável
porque me é familiar
A mim e a toda a humanidade
cheiro de dejetos (humanos)
de seres (humanos) deitados em
cantos de calçadas
cabelos longos, barba por fazer
piolhos, feridas (ferimentos).

Qual a verdadeira natureza humana?
possuimos uma?
Talvez ela esteja evidenciada
no vácuo, espaço existente
entre esses seres e nós
(os mesmos seres)
desprezo
repulsa
ânsia de vômito.

Não somos donos de nada
nem pertencemos a ninguém
Somos (homens) um com todos
(o todo)
e todos (o todo/ o tudo) está em mim.

(22.agosto.2010)

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